Instalação do Debian passo-a-passo - Parte 2

Continuando a série de posts sobre instalação do Debian, vamos agora às configurações de localidade e rede. Se você não viu o primeiro post, pode conferir ele aqui.

Localidade:
A próxima tela é a de "Seleção de Idioma". O idioma selecionado aqui será utilizado durante a instalação e será configurado no sistema final. A menos que você possua alguma razão para fazer diferente, selecione o "Português do Brasil". Caso você realmente prefira o idioma inglês, pode selecionar "Inglês" ou simplesmente "C", que é o equivalente a sem localização. Selecionando o português, facilita na configuração de algumas outras telas, como teclado e fuso horário.
As próximas telas configuram o país e o teclado. Se você selecionou o idioma como "Português do Brasil" o país já vem setado para Brasil e o teclado como BR-ABNT2 (que é o teclado brasileiro com "Ç"). 
Agora o sistema irá detectar o seu hardware e carregar os módulos necessários. A menos que você possua algum hardware "esotérico" (muito fora do padrão), não deve ocorrer nenhum problema aqui.
Configurações de Rede:
Chegamos na parte de configuração de rede. O sistema tenta efetuar a configuração de forma automática (através do protocolo DHCP). Como estou utilizando o VMWare (que implementa um servidor DHCP) a minha configuração ocorreu de forma automática. Caso você esteja em uma rede com DHCP habilitado, (como uma rede corporativa ou mesmo uma domiciliar com um roteador de banda larga) sua configuração deve ocorrer de forma automática. Caso haja algum problema, a configuração é bem simples, necessitando apenas do trivial (endereço IP, máscara de rede, default gateway e servidores DNS). Utilizando-se DHCP, as duas únicas coisas que necessitam ser configuradas são o Hostname do equipamento e o domínio. Tipicamente, em uma rede local, o hostname e o domínio podem ser qualquer um, desde que o hostname seja único para cada máquina e o domínio seja o mesmo para todas.
Por hoje, vamos ficando por aqui. No próximo post, vamos ver o particionamento. Aguardem e comentem!!!

Instalação do Debian passo-a-passo - Parte 1

Nessa sequência de posts pretendo mostrar como faço a instalação padrão de um servidor Debian. Essa instalação pode ser considerada a base para os artigos seguintes deste blog.

Considerações iniciais:

A instalação será executada em uma máquina virtual do VMWare, com 256 Mb de RAM e 4 Gb de HD. Esse padrão de instalação é suficiente (pelo menos para mim) para a criação de máquinas virtuais para testes, e até para algumas máquinas de produção. A versão utilizada na instalação é a 4.0, Codinome Etch, que é a estável atualmente.

Obtendo a mídia de instalação:

A mídia de instalação (normalmente uma imagem ISO de CD/DVD) pode ser obtida de várias maneiras, sendo essas as principais:
  • Download via HTTP/FTP
  • Download via BitTorrent
Os arquivos para download, tanto HTTP quanto torrent, podem ser obtidos no site do Projeto Debian ou de preferência em um mirror oficial, como o da Universidade de São Paulo. Utilizando um mirror você poupa a banda de internet do site do Projeto (que não possui fins lucrativos e é mantido com doações) e descongestiona links internacionais, melhorando a internet como um todo, além de possivelmente conseguir taxas de download melhores.

Existem vários tipos de instalação:
  • Instalação "Normal": Utiliza um ou mais CD/DVD(s) completo(s). A inicialização e a cópia dos arquivos é feita pelo CD/DVD. Não recomendo a menos que a máquina de destino não possua acesso à internet banda larga.
  • Instalação via rede: Utiliza um CD netinst, de aproximadamente 150Mb. A inicialização pode ser feita pelo CD, via pendrivre USB (fiz um tutorial sobre como dar boot via USB) ou via rede (netboot). Os arquivos a serem instalados são baixados da internet, garantindo que os mesmos são atualizados.
Particurlarmente, eu costumo obter uma imagem de CD netinst via BitTorrent (ou HTTP, quando estou em um lugar em que torrent é bloqueado). Essa imagem contém aproximadamente 150 Mb, sendo bem rápida de se baixar nos links atuais, e bem prática de se transportar em um pendrive. E em se tratando de Debian, não existe problema da mídia de instalação ser antiga (podendo ser até de uma versão anterior, em último caso), pois o importante é efetuar a instalação básica do sistema e atualizar via internet posteriormente.

Iniciando a Instalação: Com a ISO baixada e gravada em CD (ou com o pendrive preparado segundo o tutorial) é hora de iniciar a instalação. Colocado o CD no drive e efetuado o boot do computador, deve aparecer uma tela semelhante a essa (clique nas imagens para ampliar):


A titulo de informação, caso seja pressionada a tecla F1, aparece o menu de opções de boot, que informa os outros menus (acessíveis com as teclas de F2 a F10) as diversas opções de boot disponíveis (como o instalador gráfico, modo de recuperação, modo expert e algumas combinações).







Obs: Essas telas aparecem apenas quando o boot é realizado via CD/DVD. Boots realizados através de pendrives, disquetes ou pela rede não exibem essas opções, indo direto para o instalador.

Caso o sistema possua 64Mb de RAM ou menos será exibida a tela abaixo, informando que a instalação prosseguirá em inglês. Nesse caso, algumas telas seriam um pouco diferentes, mas a essência e a sequência são basicamente as mesmas.


E assim vamos ficando por aqui ... No próximo post pretendo mostrar sobre as configurações de localidade e rede. Até lá!!

TCPView - SysInternals

O TCPView é um programa que pode ser considerado uma versão gráfica do netstat (que é utilizado via linha de comando). Ele exibe de forma simples e direta diversas informações sobre as conexões de rede da máquina (clique nas imagens para ampliar): 


As colunas são:

  • Process: exibe o nome da imagem (programa) que é responsável pela conexão e o seu PID (Program ID). 
  • Protocol: exibe o protocolo utilizado na conexão (TCP ou UDP)
  • Local Address: exibe o nome/IP do computador local (o seu), e o nome/número da porta local utilizada pela conexão.
  • Remote Address: exibe o nome/IP do computador remoto, e o nome/número da porta remota utilizada pela conexão.
  • State: informa o status da conexão (mais sobre isso abaixo).
Os principais estados da conexão são:
  • LISTENING: Signifca que existe um processo "ouvindo" (aguardando) por conexões (ou seja, está agindo como um servidor).
  • SYN_SENT: Foi enviado um pacote SYN para tentar iniciar um conexão
  • ESTABLISHED: Existe uma conexão estabelecida.
As conexões novas são destacadas na cor VERDE. Conexões que mudaram de status são exibidas na cor AMARELA. Finalmente, conexões sendo encerradas são exibidas em VERMELHO.

Clicando com o botão direito em uma conexão, você tem as seguintes opções
  • Process Properties: exibe os dados sobre o processo local associado a ela (caminho para o arquivo e os parametros com os quais ele foi chamado)
  • End Process: termina o processo (equivalente a fechar um processo com o gerenciador de tarefas)
  • Close Connection: Força o encerramento da conexão
  • Whois: executa um comando "whois", que obtém informações sobre o IP remoto ao qual se está conectado.
  • Copy: Copia a linha para a área de transferência

Dica - Comentando e Descomentando múltiplas linhas no vi

Descomentando :
Descomentar um bloco de linhas no vi (na verdade, no vim) é relativamente simples (clique na imagem para ampliar):
No modo de comandos (pressione para alternar para o modo de comandos e "i" para voltar ao modo de inserção) pressione CTRL+ v. Isso colocará o vi no Modo de Bloco Visual (Visual Block). Quando está no Modo de Bloco Visual, o vi permite que você selecione o texto em colunas: as setas para a esquerda/direita (ou as letras "h"/"l" respectivamente) movem o cursor laterlamente (definindo a largura da coluna), e as setas para cima/baixo (ou as letras "k"/"j" respectivamente) movem o cursor verticalmente. Para descomentar um bloco de texto, basta definir um bloco com largura de 1 caractere e a altura desejada. Depois, pressione a tecla DELETE. Simples, não?
Comentando:
Essa eu demorei um pouco (alguns anos) para descobrir ... Mas é igualmente simples:
Novamente no modo de comandos pressione CTRL+v para entrar no Visual Block. Em seguida, selecione as linhas a serem comentadas e pressione : (dois pontos). O prompt do vi passará a ser :'<,'> , que representa o intervalo de linhas selecionadas. Agora basta completar a expressão de busca, deve ficar assim:
:'<,'>s/^/X
Onde X é o caractere utilizado para indicar comentários. Normalmente é utilizado o # para isso, mas há exceções. O arquivo de configuração exibido nas imagens pertence ao PHP4, e utiliza ; para comentários. Sendo assim, o comando seria :'<,'>s/^/; . Já o arquivo de configuração do próprio vi utiliza aspas (") como indicador de comentário, então o comando ficaria assim: :'<,'>s/^/" .